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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

GRILOS EM NOVEMBRO

À noite, aqui no escritório, oiço-os de duas formas: parece uma sinfonia ao longe, mais z-z-z-z do que gri-gri-gri, e ao perto batem, batem, não tão levemente assim, no vidro da janela ao tentarem chegar à luz.

Cá dentro, de vez em quando, um ou outro intruso. É certa uma batalha com o chinelo.

É assim durante umas semanas todos os meses de Novembro na Guiné-Bissau. Não sei porque aparecem nem como desaparecem. Mas é uma imensidão de grilos. Estão por todo o lado, como uma praga. Há-os nos restaurantes, em espaços ao ar livre são incontáveis, por todo o lado.

De dia mal se vêem mas à noite é impossível não nos cruzarmos com dezenas ou centenas na rua, e às vezes alguns em casa. Saltam muito, voam limitadamente e não têm pudor em agarrarem-se às nossas roupas ou cabelos. Não é assim tão raro termos que sacudir um de vez em quando.

De manhã a varanda e a escada parecem campos de batalha do dia seguinte, grilos mortos, pernas de grilos, e formigas, que nem abutres, de volta dos despojos da noite.

Felizmente o mês está a acabar e com ele os grilos. Ao longo dos últimos dias ouvem-se e vêm-se cada vez menos, assim como de ano para ano. Com esta foto apetece dizer, como Boris Vian, Morte aos Feios.

sábado, 23 de maio de 2009

BORBOLETA

Só no credita
No podê voá
A vida animal na Guiné-Bissau não é assim muito variada. África e safaris não combinam em todos os países deste continente.

E o que por aqui mais existe são mesmo insectos. Dentro desta classe de animais os únicos que gosto são as burbuletas.

Há dias que passam aqui pelo jardim a esvoaçar, por vezes repousam nas flores, mas nunca o tempo suficiente para pousarem para uma foto.

Esta estava no chão da Faculdade e tão imóvel, mesmo à medida que me aproximava, que por momentos pensei que estivesse morta. Afinal estava só a fazer-me o favor de a deixar fotografar para poder partilhar esta foto tão linda, antes de partir a voar como as demais.
Uma simpatia, já que os outros animais, que vejo todos os dias, ou são insectos que me picam, ou lagartos que me assustam.

AQUI a música “Voá Borboleta” da Sara Tavares, com imagens de outras tão e mais belas.

E um pouco da letra da música em crioulo de Cabo-Verde (há diferenças em relação ao da Guiné):

Borboleta, borboleta
Abri bôs asas e voá, mesmo se vida bai amanhã
Borboleta...
Se um prende vivê ess vida
Cada dia voá

É um mensagem pa tude gente
Qui tá sobrevivê, tude alguêm sim força pá voá pa vivê
Lá na mei de escuridão,
No podê encontra razão
Só no credita
No podê voá

segunda-feira, 30 de março de 2009

O HIPOPÓTAMO OU PIS KABALU

Não é um dos meus animais preferidos (nem de perto nem de longe).

E há quem já os tenha visto assim, em Orango (Ilha do Arquipélago dos
Bijagós). Mas não eu.
Não sei porquê um dia não resisti a comprar este, e por mais tentativas feitas não consegui uma foto que demonstrasse como esta peça está magnífica. É em pau-preto e maciça. Pesa mais de 3 Kg.

(Agradecimento das fotos dos reais à Isabel)