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sábado, 1 de março de 2008

PALÁCIO COLINAS DO BÓE - PALÁCIO DO POVO

Este vi-o nascer. E agora vejo-o crescer e faço um bocadinho parte desse crescimento. É assim a minha ligação ao edifício onde são tomadas algumas das mais importantes decisões do país. Quando cheguei, no final de 2004, o Palácio estava a ser construído pela Cooperação Chinesa, foi entregue às autoridades guineenses em 23 de Março de 2005, e o local onde passaria a funcionar a nova sede da Assembleia Nacional Popular (Parlamento) foi designado de Palácio Colinas do Bóe, mas é também conhecido por Palácio do Povo.
Esteticamente, o edifício é completamente descaracterizado do resto da cidade e do país.
Mas a sua importância funcional ultrapassa isso.
Neste momento, por exemplo, o Plenário está reunido (entre 28 de Fevereiro e 28 de Março), e o tema agendado que mais atenção suscita é a mutilação genital feminina.
A Faculdade de Direito de Bissau tem uma ligação especial à ANP: o actual Presidente fez parte do 1º curso de licenciados da Faculdade; há dois anos, em Março de 2006, as Jornadas Jurídicas organizadas pela FDB tiveram lugar no Plenário da ANP, onde pela primeira vez proferi uma conferência; e este ano a Faculdade colabora com a Assembleia - com o apoio do
PNUD e da Cooperação Portuguesa - com ciclos de formação e que culminará com a instalação e organização de um Centro de Documentação, instrumento de trabalho da maior importância para os representantes do Povo.
Para já ligada à formação em Direito, fiquei agradavelmente surpreendida por descobrir que muito se faz para o desenvolvimento e cada vez melhor funcionamento deste órgão. Decorrem, algumas já há algum tempo, formações na ANP em Língua Portuguesa (por professores do
PASEG), em Francês e em Informática.
Para além da esperança que tenho no contributo para o futuro de tudo o que ali está a ser feito, o mais satisfatório são mesmo os formandos, que se esforçam imenso, acumulando as suas funções com horas e horas semanais de formações, que mostram grande motivação para aprender e vontade de participar, de terem cada vez mais conhecimentos nas mais diversas áreas. Sem qualquer obrigação, crêem apenas que o que aprenderem os vai ajudar a fazerem melhor o seu trabalho.
Acabei de conhecer mais um conjunto de pessoas que me faz sorrir.
No final terão sido apenas algumas horas, dispersas por algumas semanas, mas é mais uma excelente experiência, da qual no final não sei quem mais terá aprendido com quem.Também eu dali levo um pouco mais de formação: sobre a Guiné e os guineenses.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

UM PALÁCIO

Já foi o Palácio do Governador, depois o Palácio Presidencial. Hoje… parece que não é de ninguém. Este Palácio situa-se na principal praça de Bissau, a Praça dos Heróis Nacionais (antes Praça Império). É praticamente impossível ir à cidade sem passar por aí.
O Palácio está como a imagem demonstra. Bastante marcado pela guerra. Passaram quase 10 anos. Não sei se é muito, se é pouco. Mas não há qualquer sinal de recuperação do Palácio. Imagino sempre que ali passo, o que poderia ser feito ali: um museu, uma biblioteca nacional.
Melhor seria, cada vez que se ali passa, pensar nas maravilhas que podiam estar no interior de um belo edifício, em vez de recordar a violência da guerra, o telhado destruído, os vidros partidos, buracos de balas e bombas. Não que se esqueça, mas na vida sempre é melhor viver o presente, sonhar com o futuro e deixar no “fundinho” as (más) recordações.