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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

CARNAVAL I

Ontem foi Carnaval, hoje é Carnaval e amanhã será Carnaval.
Serão estes os 3 dias de que sempre ouvi falar no provérbio “A vida são dois dias e o Carnaval são três”?
Não na Guiné. Por aqui o Carnaval começou na 6ª e não se vê dia de acabar. As barraquinhas do Carnaval já estão montadas há semanas e não se prevê que desapareçam antes de Maio (fotos para depois).

Para já fotos - a uma distância segura - do desfile de hoje na Avenida Amílcar Cabral, mas com promessas de mais e melhores.


terça-feira, 20 de janeiro de 2009

AMÍLCAR CABRAL

O Pai da Nação
Muito melhor do que poderia dizer aqui, dito ali:

Hoje é Feriado na Guiné-Bissau, pelo pior motivo de todos. Há 36 anos, Amílcar Cabral, a maior esperança de sempre do povo guineense, era assassinado.

domingo, 18 de janeiro de 2009

BIJAGÓS III

SOBRE BOLAMA ... E AS CANOAS
Não era associado a tanta tragédia que gostaria de voltar a falar nos Bijagós. Mas esta semana que agora acabou foi de profunda tristeza e luto para o país.
É assim a maior parte dos transportes entre o continente e as ilhas dos Bijagós, canoas rudimentares, com um motor simples, que tantas vezes avaria, sem qualquer segurança, sem coletes salva-vidas, sem rádio, sem GPS, nem sequer um simples foguete de sinalização.
Mais de 80 mortos entre o passado Domingo e Quarta-feira em quatro naufrágios, o mais grave no Domingo entre a ilha de Pecixe e o Biombo, outro no Rio Corubal, perto de Xitole e por fim duas canoas em
Varela.

Até hoje foram quatro as minhas viagens até aos Bijagós. As duas primeiras, contadas aqui, foram excelentes experiências. As duas últimas tiveram um final feliz mas até ao baixar da cortina houve algum susto e dor, em especial a última, que fica para depois.

Esta terceira história sobre viagens aos Bijagós teve lugar em Setembro de 2005. Mais de duas horas à espera do transporte que nos levaria de Bissau a almoçar em Bolama, e regressar nessa mesma tarde a Bissau já seria suficiente para achar que o plano para um Sábado tão agradável dificilmente seria cumprido.

Acabámos por sair de Bissau ao final da manhã nesta canoa, de seu nome Bragança, (de ar, ora aventureiro, ora duvidoso), e o motor que, mesmo para quem não percebe nada do assunto, tinha um “trabalhar esquisito” revelou logo passados alguns minutos a sua fragilidade para a missão em causa. Alguma manutenção pelos marinheiros a bordo (manutenção e marinheiros são eufemismos), sem mais do que uma chave que parece servir para mudar o pneu de uma bicicleta e o motor voltou a ganhar força para mais uma hora de viagem, não fosse o único senão o facto de precisarmos dele por mais outra hora ainda. E assim, se ouviu, aquele “poc, poc, poc” de quem dá os últimos suspiros de vida.

Ficámos literalmente à deriva no meio do mar. Para evitar sei lá o quê, largou-se a âncora e ali ficámos. Sem motor, sem rádio, sem coletes salva-vidas, sem nada. Reacção quase automática: vamos telefonar para que alguém nos venha buscar. E rede?

Houve quem se entretivesse a fazer uma vela com uns plásticos que havia a bordo, e quem tivesse tentado remar com uma pá de construção. São estes resultados inúteis que se obtém de experiências movidas por meia dose de esperança e meia dose de desespero.

Um milagre aconteceu, e mesmo os mais ateus a bordo nesse dia, não sabem explicar de outra forma o que aconteceu em cerca de dois minutos, os únicos em que um ponto de rede chegou ao telemóvel da Cláudia. No tempo em que as lutas entre operadoras de telemóveis estavam ao rubro não era possível ligar de um telemóvel da Guinetel para outro da Areba (agora MTN) e vice-versa, e como a Areba tinha acabado de chegar ao país ainda poucas pessoas tinham o cartão dessa rede. Só um contacto da Areba era possível, o Dr. Fodé. Em menos de dois minutos foi possível ligar ao Dr. Fodé, explicar mais ou menos o que se estava passar e em seguida a chamada caiu. Não voltámos a ter rede, da Guinetel nunca, da Areba só aquele bocadinho.
Não fazíamos ideia do seguimento que poderia ter tido aquela comunicação, foi tudo tão à pressa.

Cansados de esperar, ao sol, à chuva que entretanto caiu, e novamente ao sol, e avistando margem de um lado e de outro – Bolama à direita e a margem do continente à esquerda (que é como quem diz mato de um lado e mato do outro) - alguma coisa tinha que ser feita.

Sempre mais aventureiro, o João atirou-se à água, e não fosse ter-se mantido agarrado à corda da âncora nunca mais teríamos visto o João. Resultado, puxámo-lo para cima, a rir-se à gargalhada e achar que não era nada perigoso.

Bom, perceber-se a força da corrente, levou alguém a achar que o melhor era levantar a âncora porque quase de certeza que seríamos arrastados até à margem de Bolama. Ainda que fora do centro ou longe do porto (não fazíamos ideia) sempre seria a ilha.

Como a âncora não subia (não consigo explicar mais de metade das situações daquele dia) resolveram cortar a corda. E assim ficámos à deriva no meio do mar numa canoa sem motor nem âncora.

O destino arrasou com todas as previsões “científicas” de quem achava que íamos ser arrastados até Bolama, e fomos parar à outra margem. Primeira tentativa de sair da canoa e enterrávamo-nos até aos joelhos numa lama.

Foi nesse bocadinho de terra lamacenta que o Jorge conseguiu "A foto da viagem" (que depois até serviu a alguma publicidade para redes móveis). Deslizando em movimentos semelhantes a quem faz sky o João de telemóvel na mão e de braço esticado no ar procurava rede no telemóvel, naquilo que parecia ser mesmo o fim do Mundo. Ainda hoje não sei onde estávamos. E nunca conseguimos rede.

De volta à espera na canoa, quase no lusco-fusco apareceu uma canoa. Alguns sinais, movimentos, gritos, avistaram-nos, estávamos salvos. Ou não. Tudo bem explicadinho e um pedido de que nos rebocassem até ao porto de Bolama: Não era possível.

Parece inacreditável mas estávamos a meio caminho de ser salvos por uma canoa que não nos podia valer porque transportava madeira ilegal. Bom, não nos podiam levar ao porto de Bolama mas podiam-nos levar até à margem de Bolama e já estaríamos mais perto.

Rebocados lado a lado lá fomos e ali cada vez mais perto do destino da viagem tivemos direito ao mais belo Pôr-do-Sol do farol de Bolama.


Ao anoitecer chegaram mesmo os meios dos nossos salvadores. Ficámos a saber que o Dr. Fodé foi imediatamente ter com o Dr. Silva Pereira, que de imediato tratou de tudo para que alguém nos encontrasse e nos fosse buscar. Ainda hoje devemos continuar a dever agradecimentos a ambos mas nunca saldaremos essa dívida.

Aí estava então, a lancha que nos rebocou até Bolama.

É impossível resumir mais esta história, de cada vez que a conto é assim, extensa.

Aqui ficam as fotos de Bolama do dia seguinte, um dia fabuloso.

A casa onde ficámos a dormir. Há 40 anos atrás deveria parecer um pequeno palácio. Agora tinha portas e janelas partidas, buracos nas paredes, tinta lascada. Dividi o quarto com a Mónica. Duas camas que pareciam do quartel da tropa de há décadas. Colchão velho, sem roupa de cama. Começámos a conversar mas adormeci e dormi profundamente.
Com excepção da foto deste edifício, reabilitado por um projecto de pesca (de uma ONG?), as fotos seguintes são dos restos de edifícios coloniais.
O Palácio do Governador. Onde entrámos para ver os anunciados frescos no tecto e paredes e saímos pouco depois a correr cheios de pulgas nas pernas, aos pulos e a sacudirmo-nos. Risota total. Lá dentro passeiam-se diversos animais, cães, porcos e galinhas. (Sim, uma imundice. A lamentar.)
Uma piscina abandonada, de água verde-acastanhada.
Vestígios de jardins, outrora arranjados.
E restos, muitos restos, de tudo.
Antes do almejado almoço em Bolama, um passeio de barco, não na canoa Bragança, que a esta hora estava praticamente toda afundada no porto de Bolama, mas na lancha que nos salvou, para uns banhos na Praia de Ofir, antes muito requisitada, hoje quase sem areia. Fez valer quase tudo.

Finalmente almoçámos em Bolama e regressámos a Bissau só com 1 dia de atraso em relação ao plano, e com uma grande aventura para contar. Hoje, eu, a Mónica, o João, a Cláudia e o Jorge, o Dr. Ataíde e o Tio Daniel conseguimos contar a história e falar desta aventura a rir. Na altura apanhámos um susto, embora não demasiado grande porque não nos sentimos em grande perigo. Daí que todos tenham repetido a dose nos Bijagós, alguns com mais e maiores sustos, e é por isso que haverá um Bijagós IV.



Bolama, a ficar ao longe. Últimas imagens até uma próxima visita aos Bijagós.

(Agradecimentos das fotos ao João e ao Jorge)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Boas Festas

Em tempo de festa o silêncio não é de oiro. As últimas semanas foram agitadas. Mas também não é tempo de pensar em tristezas.

É tempo de desejar Boas Festas a todos. E sobretudo de desejar que 2009 seja um ano melhor para todos e em especial para a Guiné- Bissau.

Porque o Natal é das crianças, aqui ficam uns rostos de esperança.

domingo, 23 de novembro de 2008

FOTORREPORTAGEM

Há mais reportagens do que a maioria das que tivemos que ver e ouvir hoje.
Esta vale a pena:

http://static.publico.clix.pt/docs/mundo/guinebissau2008/

Claro que não se apaga o que aconteceu hoje mas podemos e devemos olhar em frente.

Coragem Genti di Guiné.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

RUAS DAS FLORES

Uns dias antes do dia 2 de Novembro era assim por várias ruas da Guiné. Flores de papel de todas as cores. Dia 2 de Novembro é o dia dos mortos, e feriado na Guiné-Bissau.
É o dia de visitar as campas daqueles que perdemos, e como em muitos outros países é tradição levarem-se flores.
Dois dias antes, na 6ª feira, 31 de Outubro, noite das Bruxas, as chuvas deram o seu último sinal durante os próximos tempos. Parece inacreditável mas é todos os anos por volta deste dia que termina a época das chuvas. Há quem diga que assim acontece para se lavarem as campas.
Que em seguida se enchem das cores destas flores, talvez para deixar menos negro o sentimento de perda e tristeza que marca o dia.
São raras as flores na Guiné-Bissau. Porquê? Não faço ideia. Mas não há jardins de flores. Viajamos para qualquer lado e mesmo em paisagens verdejantes, onde parece que toda a flora abunda falta a cor de uma FLOR.

Para recordar e para quem tem curiosidade, os preços:
Coroa de flores – 2.000 FCFA = 3,04€
Ramo de flores – 1.000 FCFA = 1,52€

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

NIMBA, PROTECTORA DAS MULHERES

... E MUITO MAIS ARTESANATO

Mais uma das muitas coisas boas desta terra é algum do artesanato que por cá se faz. Seria bem diferente daquilo a que estava habituada a ver à venda em Portugal não fosse a globalização. É verdade. Nas fotos em baixo as 3 últimas foram tiradas numa feira anual em Loures, mas poderiam ter sido tiradas ainda em muitas outras feiras do Norte ao Sul de Portugal, em especial naquelas festas regionais e municipais que abundam pelo Verão.
E podem confundir-se com algumas bancas de venda de artesanato na Guiné-Bissau ou no Senegal. Aliás este tipo de artesanato que chega a Portugal vem do Senegal e não da Guiné. E há algumas coisas há venda por aqui que também vêm do país (es) vizinho (s).

Mas não esta peça, que não é por ser minha, mas é a Nimba mais perfeitinha que tenho visto das poucas que se vendem em Bissau.
A Nimba foi a primeira peça de artesanato que comprei no primeiro ano na Guiné. Sendo, ou muito esquisita ou pouco apreciadora não gostava de todo o artesanato e punha “defeito” em muita coisa, mas esta peça, que alguns amigos acham um tanto ou quanto “feia”, seduziu-me, primeiro sem qualquer razão aparente, e em segundo o seu simbolismo finalizou a compra.

Dizem que a Nimba é um símbolo de protecção das mulheres.

Tenho a minha fé e as minhas crenças, sinto-me melhor por acreditar que Deus me protege, que eu própria, a família e os amigos a isso ajudamos, mas em Roma sê romano, e se estes anos de Guiné têm sido abençoados a companhia da Nimba aqui por casa também pode ajudar a concretizar o que simboliza. Seja porque razão for esta é a peça mais apreciada sentimentalmente aqui por casa. E algo da Guiné-Bissau que me acompanha quase desde o início e que um dia parte comigo.


















Onde comprar artesanato na Guiné?
* Centro Artístico Juvenil na Avenida 14 de Novembro
* Avenida Amílcar Cabral, em dois pontos principais:
-Por baixo da Pensão da D. Berta
-Frente ao Nunes & Irmão / Ao lado dos Correios