Nos últimos meses, semanas, dias, sentimentos contraditórios, de querer ir, de querer ficar, uma nostalgia antecipada e a perda do último resto de inocência sobre um país de futuro demasiado incerto, bem menos promissor do que sempre se desejou.
Há cinco anos atrás a experiência de ir a Gabu tinha-se revelado bastante decepcionante. Correndo o risco de ter deixado os problemas pessoais imiscuírem-se numa melhor apreciação de um lugar que afinal poderia ser diferente, 2010 foi o ano de dar uma segunda oportunidade à cidade e de trazer para recordação algumas fotos da mesma.
De espírito livre e em boa companhia as quase três horas de distância de Bissau a Gabu passaram num instante. A expectativa era alguma para quem pretendia redescobrir a cidade e maior para quem a ia descobrir pela primeira vez.
Chegámos à segunda maior cidade da Guiné-Bissau. Algum movimento, algum comércio mas bem menos do que aquilo que sempre se ouvia contar sobre Gabu. Talvez haja algo de pitoresco no mercado embora nada comparável ao de Bissau. Nas fotos vários tipos de arroz e vários tipos de sabão chamam a atenção.
Mais adiante uns colchões caricatos: palha forrada com grandes sacas que antes foram de arroz ou farinha.
Desde a última vez alguma coisa mudou. O antigo Palácio do Governador, que me impressionou na primeira visita pelo total abandono, está agora em obras. Aparenta ter sido uma boa residência em tempos, convidativa, talvez o volte a ser no final das obras.

Resquícios da Nova Lamego, inscrita ainda na parede de uma loja que dá por esse nome, nas casa de dois andares, uma delas de varanda em toda à volta do 1º andar, que albergam a Farmácia Central e o BAO (Banco), na igreja e na antiga estação C.T.T.


Em menos de uma hora nada mais há para ver nesta pequena cidade de ruas de terra vermelha. Almoçamos galinha à cafreal (dizemos cafriela) no “Pó di Terra”.
A caminho da saída passamos em frente daquela que em 2005 era a discoteca Baga-Baga, “a não perder” – disseram-me quando lá fui a primeira vez.
Saímos com uma sensação de “ficou visto”, de quem gostaria que fosse mais mas não é, esta cidade que ouvimos os guineenses dizer em Bissau que é a cidade dos burros, a cidade das bicicletas ou a cidade das motas. De tudo isto se vê um pouco nas ruas. Mas só um pouco.
Poucos minutos adiante, na estrada que liga Gabu a Bafatá, um novo hotel. Por curiosidade vamos conhecer, quase certas que não voltaremos ali, mas nunca se sabe. Parece que ainda nem está totalmente pronto mas, apesar de não haver nenhum cliente este fim-de-semana, garantem-nos que já está a funcionar e que tem vindo gente de Bissau só para passar o fim-de-semana, descansar, tomar um banho de piscina.
Para quem há cinco anos dormiu no Vision, então único hotel de Gabu, este Hotel HBC parece ter dez estrelas mais. Não fico com ideia de voltar nos próximos tempos mas merece ser divulgado.


Também era possível encontrar pelo menos um Balanta na multidão de palmo e meio. Aquele menino de barrete vermelho usa-o como símbolo da etnia mais numerosa do país e que ficou mais conhecido pelo seu uso habitual pelo político e ex-Presidente da República Koumba Yalá.
A meio da manhã o calor apertava e este menino, que simboliza a tarefa de descascar o arroz manualmente, faz uma pausa para beber água. Não fosse o arroz a base de alimentação do povo guineense.
Quem também se fez representar foi a
Mais algumas fotos e votos de um

Tem um espaço para brincar, pátio, parque infantil, um espaço limpo, arranjado e equipado. Um espaço pensado verdadeiramente para as crianças brincarem, muito, muito raro em Bissau.
Tudo isso só é possível graças às ajudas externas. Funciona com o apoio da
Aqui é impossível não prestar a mínima homenagem ao
Na foto da direita a irmã Isabel com a Mariama, a primeira criança a ser acolhida na Casa Emanuel e que foi adoptada pela irmã Isabel. Adoptou pelo menos mais cinco mas todas as crianças da Casa Emanuel lhe chamam Mãe.
Os mais crescidos ajudaram a descarregar e sob o olhar agradecido da irmã Isabel tudo foi arrumado no bloco dos escritórios a aguardar a semana seguinte.
Espero que ontem, dia de Natal, o lanche tenha sabido bem. Mas só na primeira semana de Janeiro volto a Bissau e estou curiosa para ouvir contar como foi.
Este conjunto de fotos foi tirado no ano passado, na visita da Margarida à Guiné, que ficou encantada com aquelas crianças, pegava em todas, e nenhuma a queria largar. No centro à esquerda eu com o Gabriel, o meu menino favorito do Orfanato.
Este último conjunto de fotos foi tirado numa visita feita em Junho com algumas amigas, a Ana Sofia, a Fátima e a Teresa, que no ano lectivo anterior se encontravam em Bissau e a quem fizeram chegar brinquedos que nesse dia levámos ao Orfanato. Foi também um dia de grandes alegrias naquela Casa.






