Ainda antes de partir para férias, pedi ao Eliseu (um post sempre adiado), que ensinasse algumas coisas à Maira, a falar um pouco mais de português, a tentar conhecer algumas letras e números. Não lhes deixei mais que um bloco de notas, caneta e lápis de carvão. Era o que havia aqui naquele momento, no meio das pressas de mais uma partida.
O início das aulas na Escola Privada Portuguesa Professor Doutor Cavaco Silva estava previsto para dia 5 de Outubro.
Como todos os anos, o regresso em Setembro foi acompanhado de muita chuva de trabalho (e de chuva real também) mas, a três semanas da data prevista para o início da escola, as lições da Maira mudaram-se aqui para casa. Foi num domingo que fui buscar a Maira para vir a minha casa pela primeira vez.
Os primeiros momentos foram de deslumbramento. Mostrei-lhe a mochila, os livros, cadernos, lápis e canetas de cor. Tentei explicar-lhe tudo ao mesmo tempo. Mostrei-lhe a casa e penso que o que achou mais fascinante foi a casa-de-banho. Nos dias que se seguiram ia lá pelo menos três vezes, em uma ou duas horas no máximo que aqui passa de cada vez. A primeira vez expliquei-lhe, depois passei a ouvir sempre o puxar do autoclismo e o abrir de torneiras.
Explico: a casa da Maira não tem casa-de-banho. A Maira e outras meninas, como ela e mais velhas, vão buscar água em bacias todo os dias para se lavarem, na rua, à porta de casa.
Primeira lição da Maira, a letra A.
Antes de mais eu não fazia ideia do que estava a fazer. Uns dias mais tarde, o Osvaldo já aqui por casa, disse: Não se usa esse método de letra por letra, é por sílabas.
A minha boa-vontade para ensinar uma criança é maior do que a minha formação para esse efeito, confesso.
Mas também suspeitei do método e dos materiais logo na 1ª lição.
A letra A, “A” grande, “a” pequeno, palavras começadas por A.
Primeira imagem. O que é?, pergunto e aponto, e obtenho como resposta: “Pé-di-mango”.
Olhar de surpresa meu não sei porquê. À porta de sua casa, em volta de onde se move, as árvores são “pés” que dão mangas, papaias ou cajus. Não está errado mas vamos lá às palavras começadas por “A”. Agora já é a árvore, o avião identificou à primeira (até achei mais estranho), a águia era um catcho (pássaro em crioulo) e a ambulância um carro. Nada de grave. As dificuldades iniciais da Maira em identificar os desenhos nos livros são fáceis de explicar e muito compreensivas. Alguns objectos ela nunca viu mesmo, muitos conhece-os com outros nomes, e torna-se mais difícil identificar bonecos que representem coisas reais, quando não se tem contacto com bonecos ou livros.
Aqui por casa as lições continuam. O livro das vogais já foi todo visto e revisto, o dos números idem. O percurso foi mais ou menos o seguinte: identificar a letra ou o número, colar os autocolantes respectivos, pintar e escrever a letra ou o número. Agora é repetir, por vezes encontrar alguns materiais na net e imprimir. Encontrei por exemplo estes blogs:
Espaço Educar
Coisas da Ana Paula
Desenhos Download
Agradeço se souberem de mais.
Para além dessas actividades a Maira aqui já viu um pouco de televisão. Disse-me que o pai de uma vizinha tem e que às vezes vê novela. Os primeiros bonecos que viu aqui em casa não eram nada apropriados. O Noddy salva o Natal tem o Natal, a neve, os presentes. Demasiadas diferenças mas a música do Abram alas pró Noddy entra no ouvido.
Por outro lado, um destes domingos vimos A ilha das cores. Isso sim, e fez-me pensar na Rua Sésamo. Por isso não posso deixar de fazer o pedido. Se tiverem materiais destes programas ou semelhantes que possam ser divertidos ao mesmo tempo que educam por favor enviem-mos.

Modéstia à parte os novos panos vindos da Guiné-Bissau são ainda mais bonitos e o trabalho da Lena, embora não tivesse dúvidas, agora pude comprovar ao vivo que é fantástico e muito perfeitinho. É assim o meu novo porta-moedas Guiné-Bissau.