sexta-feira, 1 de maio de 2009

CAJU: A ÁRVORE, O (FALSO) FRUTO, A CASTANHA, O SUMO E O VINHO

Antes de Março começamos a vê-los assim, cada vez mais, pendurados nas árvores. Este é o cajueiro. Multiplicam-se pelos terrenos a uma velocidade quase incontrolável. Há-os na cidade e à beira de todas as estradas quando saímos da capital.
No mês de Março começamos a vê-lo das seguintes formas.

O fruto (que é afinal o pseudofruto).
É fresco e sumarento, mas sempre que experimentei parece que “encortiça” a boca, tal como os dióspiros, dos quais também não consigo gostar.
E a castanha de caju, que é afinal o verdadeiro fruto, e a esta sim, eu não resisto, e nem a maior parte das pessoas que conheço. É por isso que a exportação da castanha de caju representa muito mais de metade do PIB do país.
Tem estado entre o 5º e 8º lugar dos maiores países produtores da castanha de caju e aquele que mais a exporta em estado bruto.

Estas são as minhas principais vendedoras, em frente ao mercado central. Já sabem que quando vou a Portugal levo vários saquinhos e por isso quando se aproximam algumas férias escolares, perguntam quase todos os dias quando vou. Há algumas semanas lá foram mais uns saquinhos. Lá em casa até a avó, com 82 anos, acha a castanha de caju uma delícia.
Em Bissau, também procuro que, na época em que ele é “fresco” ou “novo”, haja sempre aqui por casa, ou a servir de aperitivo a qualquer hora, exposto nesta canoa de madeira de pau-preto;
Ou quando há lanche ou festa cá por casa, inventei desde o 1º ano, a receita da tarte de caju, que é só pegar numa receita de tarte de amêndoa e substituir esse fruto por este.

Do (pseudo) fruto faz-se ainda uma aguardente a que aqui chamam vinho de caju. E na Avenida da Granja (Estrada da Aldeia SOS) é onde se concentra a maior venda de vinho de caju. (Para mim) O cheiro é intenso e não muito agradável. Mas os guineenses apreciam esta bebida, e hoje 1º de Maio estará presente em muitas festas.

As fotos do vinho, devo-as ao Eliseu. Obrigada!

5 comentários:

No bai disse...

Que saudades da tua tarte de caju... Deliciosa!!!

Beijinhos

MEB disse...

Em Bolama, no meu quintal, tinha uma árvore onde suspensos no ar os cajus, na época própria, floresciam para meu deleite. Adoro caju: o fruto e a castanha. Quando parti deixei a Guiné, o quintal e a minha árvore cheirosa. Nunca mais consegui comer um que fosse com o sabor desses que apanhava aí. Foi muito bom ler o seu texto.

Mónica disse...

Que bom matar saudades da Quinta!!!

Manda-lhe um beijinho meu quando a vires.

E outro, grande, para ti.

Mário Linhares disse...

Obrigado pelo post que me deixou tanta saudade...

Não podes enviar por correio? Pode ser a cobrar no destino...

António Resende disse...

Um testemunho interessantíssimo.
Um dia voltarei...