Neste momento tudo parece ter entrado numa normalidade que me permitiu algum sossego sobre as preocupações iniciais. A Maira está adaptada à escola e mais do que isso gosta e parece apreciar cada momento.
A preparação para o começo das aulas foi sentida com grande entusiasmo de ambos os lados.
A mochila com os materiais já estava pronta há semanas, e só ficava aqui por casa até mesmo à véspera para que não se dissipasse tudo antes de passar pelo primeiro dia de aulas. Essa era uma preocupação legítima: ao fim de um mês a Maira vai pelo menos no quarto lápis a carvão, no terceiro afia, as canetas de pintar já não são localizáveis e os lápis de colorir duram porque nunca daqui saíram, e assim ainda é possível pintar pelo menos aqui por casa.
Mas havia mais preparativos. Por aqui preparou-se uma caixa só para as coisas da Maira. A Maira divide a cama com mais duas meninas, uma irmã e uma prima, e o resto da pequenina casa com várias pessoas. E tudo é um pouco de todos. Mas agora que a Maira ia para uma escola onde todos os dias se deveria apresentar muito arranjadinha, uma “gaveta” só sua era essencial. Houve espaço para um vestido azul que estreou no primeiro dia de escola e calças de ganga que passariam a fazer parte do uniforme escolar quando estivessem prontas as t-shirts da escola, entre outras coisas.
No domingo, véspera do primeiro dia de aulas, quando cheguei ao pé da casa da Maira por ali também decorriam preparativos importantes. A Alzira, irmã mais velha, arranjava-lhe o cabelo numa operação aqui conhecida por tissi cabelo.Fui levá-la à escola no primeiro dia mas lá chegadas constatei que as outras crianças tinham lancheira. Ops! O lanche para o intervalo. Compensa-se com umas moedas entregues para comprar bolinhos e sumos que vendem à porta da escola.
Como se não bastasse, no fim das aulas cheguei atrasada e ela já tinha ido para casa. Como há que ver sempre tudo pelo lado positivo, para além de ter sido um treino utilíssimo, e que perante experiência semelhante é pouco provável que falhe pelo menos nos mesmos aspectos; sem este último atraso não teria assistido à seguinte imagem: fui direita a casa da Maira, a menos de 200 metros da escola, e cá fora estava a Maira em cuecas (porque tinha tirado e guardado o vestido para não o sujar) sentada num banco e com o caderno noutro banco à sua frente, a fazer os TPC. Estavam afastadas quaisquer dúvidas sobre o seu interesse ou entusiasmo pela escola.
A Professora Etelvina passa-lhes trabalhos todos os dias, os primeiros dias eram uns exercícios (que não me lembro o nome) que serviam para treinarem o movimento da mão e do pulso, o pegar na caneta ou no lápis, faziam “ondas” e “e”s ou “u”s todos pegados, até que passaram a fazer letras, números, e agora sílabas.
A Maira vem quase todas as tardes aqui a casa, mostra os cadernos, quase sempre traz os TPC feitos, faz outros trabalhos que lhe vou dando, escreve letras ou números, pinta ou vê desenhos animados quando o meu trabalho aperta. Um destes dias um vendedor ambulante impingiu-me um destes quadros em que se escreve, se puxa um peça que passa por baixo do “ecrã” e apaga, tem uns carimbos e assim passámos mais uma sessão de estudo a brincar.
Fica mais bonita com as trancinhas que um dia destes a Alzira lhe fez, embora tenha faltado a duas tardes de estudo porque leva muito tempo para ficar assim.
Modéstia à parte os novos panos vindos da Guiné-Bissau são ainda mais bonitos e o trabalho da Lena, embora não tivesse dúvidas, agora pude comprovar ao vivo que é fantástico e muito perfeitinho. É assim o meu novo porta-moedas Guiné-Bissau.